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Principais diferenças entre Universidade Pública e Universidade Privada

A educação é a principal fonte de capital humano de um país e o ensino superior representa uma parte importante nessa jornada de desenvolvimento. No Brasil, o sistema de ensino superior está dividido em duas grandes vertentes: a universidade pública, que pode ser federal, estadual ou municipal; e a universidade privada ou particular, que normalmente é gerenciada por uma empresa.

Ao longo dos anos, a educação superior vem ganhando destaque, principalmente pela maior facilidade de acesso aos cursos oferecidos. Isso está acontecendo devido ao aumento das vagas no ensino público e também em razão das linhas de financiamento, que tornam as mensalidades mais acessíveis na iniciativa privada. Dessa forma, o estudante se depara com muitas possibilidades no momento de escolher qual faculdade seguir. Neste artigo, vamos detalhar os principais aspectos dos modelos adotados no Brasil e mostrar quais as diferenças entre eles.

O que caracteriza e como está estruturada a universidade pública       

As universidades públicas, como já dissemos, são as instituições mantidas pelo poder público federal, estadual ou municipal. Uma das principais particularidades – e grande atrativo – desse modelo de ensino é o fato de ser uma formação gratuita, uma vez que seu funcionamento é assegurado por meio do pagamento de impostos.

Por não exigir o pagamento de mensalidade por parte dos estudantes, o modelo de ensino da universidade pública também costuma fazer com que essas instituições sejam bastante procuradas. O efeito prático disso é que as universidades públicas geralmente têm os vestibulares mais concorridos do País.

Confira a seguir como está dividido o modelo de universidade pública brasileira:

1. Universidades federais

Grande parte das instituições de ensino superior públicas no Brasil é federal. Segundo dados do Censo da Educação Superior, estudo divulgado anualmente pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), das 296 universidades públicas existentes no País, 109 são mantidas pela União. Com relação ao número de alunos, as universidades federais assumem a liderança com folga: foram 1,3 milhão de estudantes registrados em 2017 nessas instituições, o que representa 64% do total de matriculados.   

Ainda de acordo com o levantamento do Inep, dentro da rede pública de ensino superior, foram as federais que apresentaram o maior crescimento entre 2016 e 2017, com um percentual de 4,6%. Nos últimos 10 anos, elas tiveram a maior taxa de crescimento anual entre todas as redes, com uma evolução total de 7,4%. Alguns exemplos de universidades federais que são referência no País são a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a UFBA (Universidade Federal da Bahia) e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).    

2. Universidades estaduais

Além das universidades públicas federais, existem no Brasil 124 instituições de ensino superior estaduais, segundo dados do Censo da Educação Superior do Inep. Essas instituições são mantidas pelos Estados, com destaque para São Paulo, que conta com três das principais faculdades do País: a USP (Universidade de São Paulo), a Unicamp (Universidade de Campinas) e a Unesp (Universidade Estadual Paulista).

A USP, inclusive, é uma das maiores instituições de ensino superior da América Latina, com 42 unidades de ensino e pesquisa e 10 câmpus. Em 2017, as instituições estaduais apresentaram um crescimento de 3% na comparação com o ano anterior.   

3. Universidades municipais

Embora pouca gente saiba, alguns municípios brasileiros também mantêm suas próprias instituições de ensino superior. De acordo com o Inep, o País conta atualmente com 63 universidades municipais, mas esse número vem reduzindo ano após ano. Em 2017, a queda foi de 17,2% e pode ser justificada pelo fato de que o grande papel das cidades é, na verdade, prover a educação básica para os seus moradores.

Universidade privada tem 75% dos alunos de ensino superior no Brasil     

A universidade privada caracteriza-se por ser paga, estar presente em um grande número de municípios e oferecer uma forma mais fácil de ingresso no ensino superior. Alguns exemplos de universidades privadas no Brasil são a Universidade Estácio de Sá, que oferece 86 diferentes cursos de graduação e 110 de pós-graduação, mestrado e doutorado, e a Faculdade Cesusc, que oferece mais de 30 cursos de graduação, pós-graduação e extensão, além de opções de formação na modalidade online.

Com mais de 6 milhões de alunos inscritos, a rede privada de ensino superior no Brasil responde por três a cada quatro estudantes de graduação no País. Em 2017, depois de uma leve queda apresentada no ano anterior, a matrícula nesse tipo de instituição voltou a crescer, registrando uma expansão de 3% no número de estudantes. Além do grande número de matriculados, a modalidade de universidade privada também conta com a maior quantidade de faculdades – são mais de 2,1 mil instituições contra menos de 300 universidades públicas.

Embora cobrem mensalidade, várias dessas instituições contam com condições especiais de pagamento ou mesmo a oferta de bolsas para casos específicos. Existem ainda programas do governo que ajudam a custear os cursos de uma graduação. Veja agora os principais programas de incentivo ao estudo na universidade privada no País:

– ProUni (Programa Universidade para Todos): oferece bolsas de estudo integrais ou parciais. As inscrições acontecem duas vezes ao ano e os critérios de acesso são a nota do Enem e a renda familiar per capita. As inscrições para o ProUni podem ser feitas pela página siteprouni.mec.gov.br;

– Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior): o programa concede empréstimos que vão de 50% até 100% da mensalidade, com juros de 3,4% ao ano. Outro atrativo é que o estudante começa a quitar a dívida somente um ano e meio depois de se formar. As inscrições podem ser feitas durante todo o ano pelo site sisfies.mec.gov.br.

Universidade pública x universidade privada: qual escolher?

Diante de todas as informações apresentadas até agora, a pergunta que fica é: qual universidade é melhor, a pública ou a privada? Bem, a resposta vai depender muito do curso e da instituição escolhida.

Uma fonte importante de informação é o ranking que o MEC (Ministério da Educação) divulga todos os anos sobre a qualidade do ensino superior no Brasil. A avaliação se baseia no Índice Geral de Cursos (IGC) e vai de 1 a 5, sendo as instituições com 4 e 5 consideradas muito boas e as avaliadas com 1 ou 2 insatisfatórias. Outra base de dados que você pode consultar antes de tomar qualquer decisão é o RUF (Ranking de Universidades da Folha), que desde 2012 elege as melhores universidades em nível nacional.

Entre as principais vantagens de estudar em uma universidade pública está o fato de o ensino ser gratuito. Nesses casos, o acadêmico precisará investir apenas nos materiais de apoio e nos livros fundamentais para o aprendizado durante o curso.

No caso da universidade pública, os cursos são subsidiados pelos impostos pagos pelos contribuintes e os professores concursados. Por ter as vagas disputadas, muitos docentes precisam comprovar no mínimo o mestrado ou o doutorado para fazer parte do quadro de professores das instituições públicas. A consequência desse alto nível é que essas universidades costumam ser bastante conceituadas no mercado.

As instituições privadas, por sua vez, normalmente têm unidades espalhadas por várias cidades do País, inclusive nos municípios menores, o que é um ganho para quem vive nas regiões mais afastadas. Além disso, muitas dessas universidades possuem um ótimo reconhecimento de mercado, a exemplo da Universidade Estácio de Sá, da Faculdade Cesusc, da PUC, da Mackenzie, entre muitas outras.  

É importante destacar que uma das principais portas de entrada para o ensino superior no Brasil é o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Ao longo dos anos, o exame passou por uma série de mudanças e atualmente é usado como critério de seleção para universidades públicas e privadas, complementando ou substituindo o vestibular.  

Breve histórico sobre o desenvolvimento da educação superior no Brasil

Para entender melhor como funciona o sistema de ensino superior brasileiro é preciso retomar o tempo em alguns anos, ou melhor, alguns séculos. O artigo “Trajetória do ensino superior brasileiro – uma busca da origem até a atualidade”, de Juarez Bortolanza, professor associado do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Unioeste, mostra bem essa evolução. O documento faz uma abordagem sobre a estruturação das universidades no País, que inicia com a chegada da Coroa Portuguesa, em 1808.   

De acordo com Bortolanza, as primeiras escolas perduram até 1934 com um modelo de educação voltado para a formação de profissões liberais tradicionais, como Direito e Medicina, ou para as Engenharias, mas é somente em 1930 que o ensino superior adquire o cunho universitário.

De lá para cá, o sistema vivenciou inúmeras transformações. Com a Reforma Universitária de 1968, o acesso ao curso superior foi estendido, vários recursos foram ampliados e iniciou-se o desenvolvimento de programas de pós-graduação e de outras modalidades de ensino. Também foi nessa época que surgiu o estudo superior privado.

O processo que se seguiu às reformas e aos modelos profissionalizantes veio atender à demanda por ensino superior de duas formas:

– Pela ampliação das vagas na rede pública;

– Pelo estímulo à expansão do setor privado.

Vários outros movimentos no sentido de ampliar o ensino superior no País foram acontecendo desde então. Um marco importante nessa jornada foi a aprovação, em 2014, do PNE (Plano Nacional de Ensino), que determina diretrizes e estratégias a serem implementadas do ensino infantil ao ensino superior até 2024. Entre os objetivos estabelecidos pelo PNE está a expansão da taxa de matrículas de jovens entre 18 e 24 anos nas universidades.

Esse aumento está previsto para ocorrer da seguinte forma:

– Com a elevação da taxa bruta de matrícula na graduação para 50%;

– Através da elevação da taxa líquida para 33%;

– Com a garantia de que pelo menos 40% das novas matrículas ocorram no segmento público.

Em 2017, mais de 3,2 milhões de pessoas ingressaram em uma instituição de ensino superior, de acordo com os dados do Censo da Educação Superior do Inep. Uma particularidade interessante é o aumento no número de ingressos em cursos de graduação a distância, que elevaram sua participação no total de alunos matriculados de 15,4%, em 2007, para 33,3% em 2017.